UFFS e IF Farroupilha realizam carijada na aldeia Tekoá Pyaú

0
107

Produção artesanal de erva-mate é uma tradição guarani

A Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) câmpus Cerro Largo, em parceria com o Instituto Federal Farroupilha câmpus Santo Ângelo, realizou ontem (29) a 3ª edição da Carijada. O projeto, que visa resgatar a tradição e refletir sobre o porquê de a erva-mate fazer parte da tradição e identidade das populações sulistas, é desenvolvido por estudantes da primeira e terceira fase do curso de Agronomia, durante disciplina de História da Fronteira Sul, ministrada pela professora Bedati Finokiet. Nesta edição, a carijada foi realizada na aldeia Tekoá Pyaú, em Santo Ângelo, onde vivem 32 índios Mbya-Guarani.

Para a professora Bedati Finokiet, o principal objetivo de se realizar a carijada no local foi abastecer a aldeia com a erva. “Como existe erva-mate em grande quantidade onde será o câmpus do instituto (IF Farroupilha), propomos que fizéssemos a carijada no espaço da aldeia, para recuperar essa tradição Guarani e dar essa autonomia para eles terem este elemento que é tanto para o ritual quanto para o consumo. Nós herdamos este costume de tomar o mate, o chimarrão, dos Mbya-Guarani”, disse.

O PREPARO
Emílio Correa dos Santos, colaborador do projeto, descendente de guaranis e amigo de longa data dos Mbya-Guaranis, explica que a carijada é a produção artesanal de erva-mate. A colheita da erva-mate foi feita no câmpus do IF Farroupilha em Santo Ângelo na terça-feira (28). O processo de secagem, que dura de 12 a 14 horas, foi realizado na aldeia.

“Primeiro ocorre o sapeco no fogo, para enxugar os líquidos que tem na folha. Depois a planta é quebrada e fazemos maços, o que é chamado de macaco e dá em torno de 15 quilos cada. Depois, colocamos em cima do carijo para a secagem, o último processo no fogo. Dali ela é moída e depois vai para o pilão”, esclareceu Emílio.

“PARA OS BRANCOS APRENDEREM”
Para o cacique da aldeia, Anildo Romeu, o ritual da produção artesanal de erva-mate faz parte da tradição Mbya-Guaranis. “Para nós é muito importante. Nós, indígenas, usamos isso há muito tempo e é importante mostrar que isso ainda existe, não está apenas no passado. Por isso demos oportunidade para os brancos aprenderem”, explicou o cacique.

O estudante Antonio Fontoura, do curso Técnico em Gerência de Saúde do IF Farroupilha de Santo Ângelo, destacou a oportunidade de poder conhecer de perto a cultura indígena. “É algo novo, uma oportunidade de conhecer a cultura deles um pouco. A gente tem aquele conhecimento de homem branco mesmo, historiografia, não história. Já aprendi algumas palavras e até fui batizado com um nome guarani”, relatou Antonio, que foi batizado de Verá, que em guarani quer dizer “Jesus, o filho de Deus”.

70 QUILOS DE ERVA-MATE
A 3ª edição da carijada (as duas primeiras foram no câmpus da UFFS, em Cerro Largo), iniciada com a colheita da erva-mate na terça-feira (28), vai produzir, segundo Emílio dos Santos, aproximadamente 75 quilos da erva, que será toda destinada aos Mbya-Guaranis. Também participaram da carijada o vereador Gilberto Corazza e o karaí (também conhecido como pajé) Floriano Romeu, além dos demais membros da aldeia.