Universalização da saúde é debatida no Fórum Social Missões

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Encontro com autoridades da área da saúde foi realizado na tarde desta quinta-feira

 Na tarde desta quinta-feira (29), em conferência do Fórum Social Missões, no prédio 13 da URI Santo Ângelo, autoridades da área da saúde debateram a universalização do atendimento. Participaram do debate o conferencista Gilberto Barichello, diretor do Grupo Hospitalar Conceição; a secretária de Saúde de Entre-Ijuís Amabilia Arenhart; a integrante da Fundação da Saúde de Santa Rosa, Karina Kucharski; e o coordenador adjunto da 12ª Coordenadoria Regional de Saúde, Narciso Soares. O debate foi mediado pelo integrante da ONG Políticas Públicas Outro Mundo é Possível, Gilson Martinez.

Gilberto Barichello começou sua fala dando exemplos de como a saúde é tratada em termos de políticas públicas no mundo. Conforme ele, é necessário que haja um fundo universal de investimentos para a área da saúde, para que todos os países tenham acessos iguais ao atendimento.

Ao falar dos recursos destinados à saúde, ele fez um comparativo com outros países que investem mais ou menos no setor do que o Brasil. Conforme o gestor, nem sempre o país que investe mais em saúde dá mais acesso à população. “O financiamento da saúde por si só não garante o acesso à população. Há barreiras financeiras que devem ser retiradas. No nosso sistema acontece muito de haver o recurso tecnológico, mas só para quem puder pagar”, criticou Barichello. O diretor do Grupo Hospitalar Conceição defendeu o conceito de rede de atenção na saúde, em que todos os “nós” da rede são importantes.

DESCENTRALIZAÇÃO

Um dos desafios encontrados na gestão da saúde atualmente, afirmou Barichello, é a descentralização dos profissionais e das tecnologias dos grandes centros para o interior do Estado. Outro desafio apontado é acabar com a má gestão dos recursos. “Em uma pesquisa em países, foi apontado de que 20 a 40% dos recursos destinados à saúde são mal aplicados.”

Gilberto Barichello criticou duramente a visão de uma saúde baseada em interesses políticos e econômicos, e não nas necessidades da população. “Que pesquisas estão sendo feitas na área da saúde e com que propósitos? A produção do conhecimento não está com o propósito de universalizar, mas de produzir remédios caros. Essa produção tem que ser revista, pois não está vinculada às necessidades da população”, afirmou.

Outro tema abordado por Barichello e demais debatedores foi a pressão da burocracia e do Poder Judiciário em fazer cumprir determinações. “Como podemos fazer para ultrapassar a burocratização da saúde? E sobre quem passa na frente da fila do SUS por um canetaço da Justiça? São alguns desafios a superar”, afirmou Narciso Soares, da 12ª CRS.

 

 

Barichello: “Vamos estudar a viabilidade de construir um hospital público regional”

 

Ao falar do Sistema Único de Saúde e da ampliação do atendimento na área, o diretor do Grupo Hospitalar Conceição Gilberto Barichello afirmou que os projetos da saúde devem ser construídos de forma democrática, visando atender necessidades da população e ter sustentabilidade financeira. Ele citou a mobilização regional pela construção de um hospital público regional nas regiões Missões e Noroeste.

Conforme Barichello, nunca foi prometida a construção de um ou mais hospitais na região, mas sim foi proposto um estudo de viabilidade, para saber se há condições e necessidade de construir um hospital 100% SUS. “Este é o momento de haver unidade política, verificar a viabilidade técnica para depois buscar a viabilidade financeira. Se colocar contra essa mobilização, de cara e sem saber o que está havendo, é no mínimo muita arrogância”, disse o gestor, rebatendo críticas feitas na imprensa da região por deputados federais.