Vencedor do concurso amador de fotografia é um preso que cumpre pena no regime semiaberto

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Gilson de Moraes, 33 anos, fez a foto vencedora do 1º lugar, com o nome de “Janela Espelhada”

Foi através dos espelhos das janelas de um prédio, localizado na rua Quinze de Novembro, no centro de Santo Ângelo, que um preso do regime semiaberto se viu em um passado que afirma não lhe pertencer mais.

E foi com as lentes de uma máquina fotográfica amadora, que conseguiu emprestada, que ele registrou o prédio que lhe rendeu o prêmio de 1º lugar no 4º Concurso Amador de Fotografia, promovido pela Secretaria Municipal de Cultura, Lazer e Juventude.

Gilson de Moraes, 33 anos, deu à fotografia vencedora o nome de “Janela Espelhada”. Com isso, ganhou o prêmio de R$ 400,00, troféu e vários brindes de estúdios fotográficos da cidade.

Há três meses trabalhando durante o dia como voluntário de serviços gerais no Núcleo de Arqueologia e à noite dormindo no Instituto Penal de Santo Ângelo, diz que o tráfico de drogas e a associação para o tráfico, crimes que lhe levaram para a cadeia, são uma página virada em sua vida.

Durante cinco anos cumpriu pena no regime fechado, no Presídio Regional de Santo Ângelo, tempo suficiente para refletir sobre uma mudança de comportamento. Casado e pai de dois filhos, Gilson de Moraes, diz que o prêmio é uma prova de que a ressocialização é possível, desde que o desejo esteja no interior daquele que cometeu um crime. “Me sinto arrependido e por isso não tenho vergonha de dizer o que eu fiz no passado, pois a oportunidade que a sociedade está me dando é mais importante do que qualquer outro prêmio”, afirma.

Gilson parou de estudar na 2ª série do ensino médio e agora quer retornar a sala de aula para concluir os estudos. “Gostei de participar do concurso. Antes eu pensava no crime e hoje quero uma vida melhor. Quando eu soube do prêmio, me emocionei, ergui as mãos para o alto e agradeci a Deus pela oportunidade”, destaca.

A coordenadora do Núcleo de Arqueologia, arqueóloga Raquel Rech, diz que percebeu em Gilson o desejo de participar do concurso e o motivou. “No primeiro momento ele achou que não tinha condições de concorrer em comparação a demais participantes que tivessem nível superior a ele. O pensamento positivo foi que o levou a ser um vencedor”, frisa.

O presidiário admite que é preciso pensar positivo para vencer na vida. “Antes mesmo do concurso eu já admirava aquele prédio. Quando eu tirei a foto disse para mim mesmo que estava tirando a foto vencedora do concurso”, conta.

Gilson de Moraes está na fila de espera para ser efetivado no Núcleo de Arqueologia e passar a receber um salário mínimo do Município através de um acordo firmado entre Prefeitura e Susepe.