Vereadores contestam preços dos ingressos para os desfiles do Carnaval de Rua

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Os vereadores Jacqueline Possebom (PDT) e Gilberto Corazza (PT) se manifestaram contrários aos preços praticados na comercialização dos ingressos do Carnaval de Rua, cujos desfiles ocorreram na última sexta (21) e no sábado. Eles consideram os valores abusivos.

Mesmo que o interessado quisesse estar presente só a uma noite de desfiles, a organização havia disponibilizado somente ingressos para as duas noites. As arquibancadas tinham o valor de R$ 20, e as cadeiras, de R$ 25. Algumas arquibancadas ficaram praticamente vazias – além destes preços, havia o dos camarotes, a R$ 1.500.

A expectativa da Prefeitura e da Liga Independente das Escolas de Samba de Santo Ângelo (Liessa), organizadoras do evento – que teve, ainda, patrocinadores –, era de receber um público total de 40 mil pessoas. De acordo com a Brigada Militar, 30 mil pessoas assistiram aos desfiles – 12 mil na sexta e 18 mil no sábado.

Em entrevista concedida ao programa Rádio Visão, apresentado pelo comunicador Luiz Roque Kern na Rádio Santo Ângelo, Corazza afirmou que o Carnaval de Rua é uma festa popular e que não se pode desviar o foco deste objetivo central. “Se é uma festa do povo, o povo deve ter direito de participar desta festa. Do modo como a edição deste ano foi estruturada, o Carnaval foi privatizado. Antes, as famílias organizavam suas cadeiras ao longo da pista, tendo acesso livre, mas agora a maior parte dos espaços foi cercada, fechada. Havia tapumes, para evitar que as pessoas de fora enxergassem a pista central. São R$ 20 ou R$ 25 por pessoa, daí tem pai, mãe, filhos, e vai somando… Os valores restringiram e limitaram tremendamente a participação direta da população”, afirmou o vereador. “O evento foi financiado com recursos públicos, seja da Prefeitura, da Corsan ou pela Lei de Incentivo à Cultura, e foi com estes recursos públicos que o Carnaval foi elitizado”, complementou.

Jacqueline também lembrou o uso de recursos públicos ao se manifestar contra os preços dos ingressos. Em entrevista ao Jornal das Missões, a vereadora, que desfilou na sexta-feira pela Império da Zona Norte e pela Mocidade Independente de São Carlos, relatou que foi preocupante ver, da pista, arquibancadas vazias. “Só da Prefeitura, foram repassados R$ 60 mil, aprovados pela Câmara. Foram usadas estruturas públicas, veículos de secretarias, funcionários públicos trabalharam, e os preços dos ingressos foram excludentes, não foram preços populares. Havia tapumes, isolando a população que não havia comprado. Isso não era feito em anos anteriores. Para o ano que vem, vamos fiscalizar de perto esta questão”, enfatizou a vereadora, que também abordou o assunto durante a sessão de hoje (24) da Câmara, durante o espaço do “Pinga-Fogo”.