Violência contra a mulher aumenta 15% ao ano em Santo Ângelo, diz Polícia Civil

0
168

Para o delegado regional, caminhos para diminuir índices de violência passam pelo trabalho em rede

O número de denúncias de violência contra a mulher cresce aproximadamente 15% ao ano em Santo Ângelo. A informação é do delegado regional de Polícia Civil, Fernando Antônio Sodré de Oliveira. “Isso acontece todo ano e atribuímos a dois fatores: o primeiro se deve ao aumento da violência especificamente, já o segundo refere-se ao fato de as mulheres sentirem-se mais acolhidas e seguras para fazer a denúncia”, enfatiza.

O delegado destaca, entretanto, que do ponto de vista policial esse é um número preocupante, tendo em vista o aumento gradual da demanda do efetivo. “Independentemente de estarmos tomando conhecimento de atos de que antes não tínhamos, seja por um motivo ou outro, temos uma demanda que aumenta ano a ano e o que importa é que temos de tomar medidas para que possamos diminuir os índices de violência”, assinala. Para isso, a Delegacia Regional de Polícia de Santo Ângelo vem buscando há alguns anos a implementação de uma delegacia especializada no atendimento às mulheres vítimas de violência doméstica.

O anúncio da criação da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) e o início do treinamento do efetivo são os primeiros passos para que o atendimento qualificado às vítimas de violência comece. “Aumentar a confiança das mulheres para que possam fazer o registro e criar uma rede de atendimento na cidade já está previsto dentro de nosso projeto, no qual conseguimos aporte do governo federal”, frisa.

CAMINHOS PARA DIMINUIR OS ÍNDICES
Para diminuir os índices, Sodré destaca que o que pode, de fato, funcionar para combater a violência contra a mulher é o trabalho em rede. Para o delegado, com a nova delegacia especializada, será possível realizar um trabalho direcionado, pois atualmente os serviços ocorrem na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).

“O primeiro passo foi dado. Conseguimos separar as delegacias para manter um atendimento qualificado em cada uma delas”, afirma, ressaltando que cada delegacia especializada tem uma visão diferenciada para que a vítima seja atendida de forma adequada com o objetivo de sanar todas as necessidades. “Estamos fazendo isso com a rede de atendimento na cidade”, acentua.

A rede conta com um policiamento mais ostensivo e é amparada pela Brigada Militar – além de outros parceiros –, que vai implantar no município de Santo Ângelo a Patrulha Maria da Penha, para o acompanhamento das vítimas do registro até a decisão judicial.

ATENDIMENTO
O atendimento hoje ocorre de forma homogênea, por policiais do sexo feminino e masculino, e deve permanecer assim após a implementação da Delegacia da Mulher. “Não podemos abrir mão do atendimento com um policial homem, pois há casos em que há resistência dos agressores, quando se torna necessário o uso de força bruta”, afirma Sodré. Porém, ele acrescenta que “os policias, tanto femininos quanto masculinos, estarão preparados para fazer o atendimento ideal e adequado para ajudar essas mulheres a sair desse ciclo”.

ORIENTAÇÃO E CONSCIENTIZAÇÃO
A maior preocupação, segundo o delegado regional, é com a conscientização das vítimas. “Temos orientado as mulheres vítimas de violência e que não se sentem encorajadas para mudar de vida sobre a importância de que revejam essa situação, pois não podemos aceitar que isso permaneça, mas também deve partir da vítima a denúncia”, esclarece.

A conscientização parece ser o melhor caminho. A delegacia, segundo Sodré, não critica a conciliação e a acha normal para a vida humana, no entanto, “o problema é que isso se torne uma porta de entrada para reiteradas violências, porque as pessoas não se sentem seguras para sair dessa vida em que estão inseridas e é isso que preocupa a polícia, pois queremos combater e diminuir a violência”.