Retirada da vacina é considerado avanço para a pecuária gaúcha

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Foto: reprodução

O Rio Grande do Sul obteve uma conquista considerada histórica para o setor da pecuária. A Instrução Normativa (IN) 52, assinada pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina, na terça-feira (11), reconhece o Estado como zona livre de vacinação contra a febre aftosa.

A mudança passa a vigorar em 1° de setembro, e a IN deve ser publicada no Diário Oficial da União. Na semana passada, auditores do ministério estiveram na Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr) para avaliar o cumprimento das exigências feitas para a obtenção do novo status sanitário.

Nikititz acredita que a medida irá beneficiar todo o setor pecuário, não apenas o da carne bovina. Foto: Divulgação

O presidente do Sindicato Rural de Santo Ângelo, Laurindo Roberto Nikititz, participou na última terça-feira (11) de uma assembleia virtual realizada pela Farsul que analisou a retirada da vacina da febre aftosa no Estado. A decisão foi apoiada pela maioria dos representantes dos Sindicatos Rurais.

Segundo Nikititz, a elevação do status de livre de aftosa no RS é um importante avanço para a agropecuária gaúcha. “Alcançaremos novos mercados mundiais para a exportação, onde antes era exportado carne sem osso e embutidos agora vai se abrir o mercado para carne com osso também, aumentando assim a demanda por essa proteína animal”, avalia.

Na avaliação de Nikititz, o status não beneficia somente a carne bovina, mas também a suína, de aves e derivados do leite. “Se não tivéssemos conquistado essa evolução ficaríamos isolados, pois Santa Catarina, Paraná, Argentina e Uruguai já possuem esse status de livre de Aftosa sem vacinação, o que acarretaria em prejuízos para nosso estado”.

Porém, o presidente do Sindicato Rural lembra que será preciso que todos que fazem parte desta cadeia, bem como Governo do Estado, Ministério da Agricultura e produtores rurais cumpram com as suas obrigações. “É papel do Sindicato e Farsul, fiscalizar e acompanhar todas as ações que ainda se fazem necessárias.O pecuarista também precisa fazer a sua parte cuidando dos parasitas e das enfermidades de seus animais, para que tenhamos uma carne com mais qualidade, pois genética e produtores empenhados em produzir faz parte da marca da nossa região. Com certeza em um futuro próximo com o aumento da demanda das carnes teremos um incremento na renda do produtor”.

Trânsito de animais terá que receber fiscalização mais acentuada
Coutinho diz que o risco faz parte da retirada da vacina. Foto: Arquivo/JM

O chefe da Inspetoria Veterinária de Santo Ângelo, Luiz Claudio Coutinho, acredita que os serviços veterinários gaúchos foram reconhecidos com a retirada da vacinação. Entretanto, frisa que o trabalho para manter o Estado como zona livre de vacinação será ainda mais árduo do que a conquista do status. “A atenção com o trânsito de animais deverá se tornar mais intensa. O risco faz parte da retirada da vacinação e nós ainda lembramos dos prejuízos causados pelo foco de aftosa surgido no Município de Jóia em 2001”.

Segundo Coutinho, algumas cadeias do agronegócio, como a suinocultura, a avicultura e a bovinocultura estão vibrando com a conquista, por que isso significa a abertura de novos mercados, o que é importante para a economia gaúcha.

A partir do reconhecimento pelo ministério, a Secretaria Estadual de Agricultura comunica a mudança para a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), que concede a certificação da evolução do status sanitário, abrindo portas para mercados não acessados pelos criadores gaúchos.

Técnicos e especialistas apontam que a retirada da vacinação tem potencial de abrir mercados como Japão, Coreia do Sul, México, Estados Unidos, Chile, Filipinas, China (carne com osso) e Canadá.

No setor dos suínos, a expectativa é de que haja aumento nas exportações de cerca de R$ 600 milhões anuais.

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