Cerca de 13 mil crianças são diagnosticadas com câncer infantil por ano

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No Brasil, o câncer já representa a primeira causa de morte (8% do total) por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca). Hoje, em torno de 80% das crianças e adolescentes acometidos da doença podem ser curados, se diagnosticados precocemente e tratados em centros especializados. A maioria deles terá boa qualidade de vida após o tratamento adequado.

De acordo com o médico oncologista associado da Associação Médica do Rio Grande do Sul (Amrigs), Cláudio Galvão, houve melhora, nos últimos anos, no acesso ao tratamento e cuidados de suporte. “Os programas de diagnóstico precoce também surtiram efeito, mas ainda temos muito a fazer. A remuneração dos serviços pelo SUS está defasada há mais de uma década. Temos tido dificuldade de acesso a alguns medicamentos de baixo custo que frequentemente entram em desabastecimento. Também o acesso a novos medicamentos é bastante complexo no nosso país”, explica.

Cenário de Pandemia

No contexto da atual pandemia de Covid-19 houve atraso no diagnóstico da doença – situação mais acentuado nos primeiros meses. “Está em andamento um estudo sobre a Covid-19 nos pacientes em tratamento com câncer infanto-juvenil. Os dados ainda não foram publicados, mas sabemos que alguns pacientes foram afetados e, embora óbitos tenham acontecido, o cenário felizmente não foi tão catastrófico. Por outro lado, várias outras doenças comuns de inverno deixaram de circular, assim como infecções bacterianas, devido ao maior cuidado com esses pacientes e menor circulação de vírus”, acrescenta Galvão.

Diversos novos medicamentos estão sendo introduzidos, mas ainda não são acessíveis para pacientes do SUS. No passado, a maioria dos medicamentos oncológicos não tinham em bula a indicação para crianças. Assim alguns produtos efetivos nessa faixa etária comprovados por estudos clínicos independentes tem limitação de uso em crianças. Segundo o médico, este quadro vem mudando, pois diversas agências reguladoras internacionais, agora, obrigam os fabricantes a realizarem estudos em crianças com a finalidade de incluir em bula as indicações em pediatria, facilitando assim a incorporação dos mesmos por convênios e mesmo por sistemas públicos.

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