Em sintonia pela segurança

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Preto, Bruce, Nitro e Meg são os cães que auxiliam o Pelotão de Operações Especiais em atividades

O pastor-alemão Preto, de 8 anos, os pastores-belgas malinois Bruce, 4 anos, e Nitro, 2, e a labradora Meg, de 5, são os cães do Pelotão de Operações Especiais (POE) do 7º RPMon que atuam no policiamento. Para isso, recebem um treinamento especial e têm suas capacidades aprimoradas diariamente – além disso, naturalmente, há os cuidados com a parte física do animal e com sua saúde.

Cães são usados em atividades policiais, por exemplo, na abordagem a um acusado, na procura por substâncias entorpecentes e explosivos e no rastreamento de pessoas desaparecidas, além de situações como o policiamento em praças, nas ruas, em jogos de futebol e outros eventos – os cães do POE não são treinados para procurar explosivos pelo fato de que ocorrências assim não fazem parte com frequência da rotina do pelotão. Também auxiliam em operações das polícias Civil e Federal, bem como em presídios. “Os cães também trazem uma proteção ao policial que está trabalhando com ele”, diz o sargento Paulo Henrique da Silva, que está no comando do POE enquanto o comandante, tenente Joaquim Monteiro, atua na Operação Golfinho, no Litoral gaúcho.

FATOR DE INTIMIDAÇÃO
No POE, atuam com os cães o sargento Everton Acosta e os soldados Douglas Nascimento, Rômulo Domingues Bueno e Janaína dos Reis. Os cães, que são alimentados unicamente com ração, ficam no canil do pelotão, que, além dos ambientes individuais para cada animal, tem uma sala para os policiais e outra para guardar a ração.

Preto e Nitro são treinados para fazer patrulha. Meg, para farejar e identificar entorpecentes. Já Bruce, para as duas situações. “Mesmo que uma raça tenha capacidade de fazer vários trabalhos, como de patrulha e faro, não adianta insistir se um cão não corresponde ao treinamento. Raças podem ter características e habilidades gerais, mas cada animal tem as suas”, afirma Nascimento, que fez um curso de 30 dias no canil do Batalhão de Operações Especiais (BOE), em Porto Alegre, em 2006. “O uso de cães é um fator de intimidação e tem a característica de ser um meio não letal de reação.”

Nascimento diz que, depois que se inicia um treinamento com um cão, leva-se em torno de um ano – dependendo das características do animal – para que ele chegue a um estágio já mais avançado. Preto, Nitro e Meg estão com o POE desde bem novos, e Bruce foi trazido com 2 anos. “Cães destas raças ganham maturidade a partir dos 2 anos, mas com 10 meses já têm condições de ser treinados”, explica.

TREINAMENTOS
Em relação ao patrulhamento e ataque, os primeiros passos para se iniciar um treinamento, revela o soldado, visam ao desenvolvimento da obediência do animal, com comandos como o “senta”, o “deita” e o “fica”. Também é treinado um latido característico de intimidação, para que o animal o desenvolva, a mordida – primeiro em objetos mais “fáceis” de ser mordidos, como um espaguete mais fino, e após nas luvas pesadas e grossas usadas pelos policiais para a prática – e, ainda, são recriadas situações do cotidiano e reproduzidos sons, para que o cão se ambiente ao barulho que poderá encontrar no dia a dia durante patrulhamentos.

No ataque a suspeitos, o animal é treinado a só avançar e morder mediante a ordem do policial ou após uma reação da pessoa. “É preciso treinar a mordida não só nos braços, mas também em outras partes do corpo. Em muitas situações, como em presídios, o detento já antevê o uso de cães e reforça os braços com alguma coisa para não ser desarmado ao eventualmente ser mordido. Mas, da mesma forma, já teve operações em que só latidos de intimidação já foram suficientes”, conta Nascimento.

Quanto à capacidade do cão de farejar e identificar substâncias entorpecentes, o soldado diz que tudo parte de o policial estimular no animal o interesse por brincar. Os cães não têm contato propriamente com as drogas, e sim com o aromas delas – de cocaína ou maconha. Os aromas são colocados nos brinquedos favoritos dos animais, sejam bolas, tubos ou outros. “Quando o cão passa a se interessar pelo brinquedo e eu insiro os odores, ele assimila que aquele brinquedo tem o odor. Ou seja, quando ele procura a droga numa operação, na verdade, ele está procurando o seu brinquedo”, conclui o soldado. O POE tem planos de colocar em prática, neste ano, em entidades, um projeto de cinoterapia, uma terapia realizada com o auxílio de cães e que visa ao progresso físico, mental e social do atendido. O projeto, que também envolveria outros profissionais, como psicólogos, está em fase inicial de estudos.