Mãe acorrenta o filho usuário de crack em Santo Ângelo

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A empregada doméstica de 56 anos teme que o jovem seja morto por traficantes

 Desesperada e temendo perder o seu filho para os traficantes, uma empregada doméstica e cuidadora de idosos de 56 anos, em Santo Ângelo, resolveu acorrentá-lo na noite de sexta-feira (27), depois que ele saiu de casa com as últimas peças de roupa que tinha e retornou apenas com uma bermuda toda suja – peça que provavelmente teria trocado por droga. O jovem de 23 anos é filho único e usuário de crack desde os 14 anos.

A mãe é separada e diz que o filho já esteve internado, pelo menos dez vezes, em ala psiquiátrica, clínicas e comunidades terapêuticas, mas que nenhum tratamento foi capaz de afastá-lo da droga. “Ele está dominado pelo crack. Eu já perdi completamente o controle sobre ele. Perdi forno elétrico, botijão de gás cheio e vazio, liquidificador e muitas outras coisas que o guri furtava de dentro de casa para trocar com crack”, fala.

A doméstica explica que tomou a decisão de prender o filho por uma corrente porque sai de casa pela manhã para trabalhar e só retorna à noite. “O meu filho já tentou suicídio várias vezes e o meu medo é que quando eu retornar para casa ele esteja morto ou que um traficante mate-o. Ele é um filho bom e companheiro, mas com uma cabeça fraca. Não ouve ninguém e quando bate a fissura fica enlouquecido e sai para rua atrás de crack”.

A mãe já buscou ajuda no Ministério Público, na época em que o jovem era menor. O MP, por sua vez, encaminhou o garoto para tratamento, porém, ele não conseguiu ficar longe da droga por muito tempo. “Hoje me sinto fracassada, impotente. Penso que posso perder o meu filho a qualquer momento. Busco em Deus a coragem e a fé para continuar buscando a esperança de recuperação do meu filho. Quem é mãe não desiste. Estou precisando apenas de um milagre. Não acredito que Deus me deu este único filho para hoje eu perdê-lo para satanás”.

O jovem de 23 anos disse que sempre foi muito tímido e que começou a usar droga para poder fazer parte do grupo de amigos e ter coragem para conquistar as meninas. “No grupo de amigos, só era bom aquele que usava droga. Comecei usando maconha, álcool e cocaína. Depois troquei pelo crack por ser mais barato. Quero parar com isso, pois já vi amigos morrendo na minha frente, mas não consigo. Passo as noites, fumando crack no meio do mato, sozinho e sem rumo”, diz.

Por fim, a mãe pede aos jovens que evitem experimentar drogas. “Isso faz mal. No início tranqüiliza, mas depois mata. Quem ama sua família, não usa droga”, conclui.