Mensalmente são registradas 100 ocorrências de violência contra a mulher em Santo Ângelo

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Delegada Elaine da Silva revela que os números podem ser maiores que os oficiais Apesar da Lei Maria da Penha ter sido um avanço, implantada em 2006, não teve impacto no número de mortes e agressões contra as mulheres. No Brasil, a taxa de mortalidade é de 5,22 por 100 mil mulheres entre 2007 e 2011. A luta contra esse tipo de violência tem sido um desafio no país, mas também em Santo Ângelo. Em entrevista ao Jornal das Missões, a delegada Elaine Maria da Silva revelou números significativos de casos registrados na Delegacia de Proteção da Criança e o Adolescente e Posto da Mulher.
 
JM – Como está a situação da violência doméstica em Santo Ângelo?
Elaine Maria da Silva – Ao todo é registrada mensalmente uma média de 100 ocorrências de violência doméstica. Os números revelam apenas situações na qual a mulher aparece como vítima, independente da idade, já que crianças, adolescentes, mulheres adultas e idosas podem ser enquadradas neste contexto e receber amparo pelas medidas protetivas da Lei Maria da Penha.
 
JM – Muitos casos de agressões não chegam até a Delegacia de Proteção da Criança e o Adolescente e Posto da Mulher e o número pode ser bem mais amplo do que se tem registrado. Por que isso ainda acontece, delegada?
Elaine – Vários fatores podem interferir nesse processo. Muitas mulheres ainda sofrem caladas por sentirem vergonha de expor sua vida. Acreditam que é apenas uma fase e logo será superada, ou até mesmo receio de sofrerem represálias, já que os agressores fazem ameaças para intimidá-las. Além disso, a autoestima comprometida pela constância dos maus tratos, dependência econômica, filhos em comum, enfim, inúmeras são as causas que associadas à ausência de políticas públicas voltadas ao efetivo enfrentamento desse tipo de violência, ainda amedrontam as vítimas para que denunciem seus algozes.
 
JM – Quais os principais fatores responsáveis pela violência doméstica?
Elaine – Seria muito simples afirmarmos que as causas são associadas à ingestão de bebida alcoólica ou ao uso de diversos tipos de drogas, mas sabemos que a questão é mais complexa e que a violência doméstica ressente-se de resquícios histórico-culturais. 
Com a evolução da sociedade, a mulher também progrediu e foi ocupando seus espaços, mas permanece em constante conflito perante os conceitos pré-estabelecidos por uma sociedade altamente machista.
 
JM – Que procedimentos a vítima deve tomar e o telefone de contato da delegacia?
Elaine – Nós sempre orientamos pela denúncia, que pode ser feita pessoalmente no órgão policial, que permanece aberto durante 24 horas. 
As vítimas também têm recorrido bastante ao atendimento prestado pela Brigada Militar no momento ou logo após a ocorrência da agressão, que faz o encaminhamento para a Delegacia de Pronto Atendimento. 

Existe também uma Central de Atendimento à Mulher, que é um serviço criado em 2005 pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, que auxilia e orienta as mulheres vítimas de violência, através do número de utilidade pública 180. As ligações são gratuitas.