Morte no Itaquarinchim: mulher será indiciada por homicídio qualificado

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Ela confessou ter assassinado o menino encontrado morto no leito do rio

Uma mulher de 38 anos confessou ser a autora do segundo homicídio do ano em Santo Ângelo. Ela será indiciada por homicídio qualificado. Em depoimento à Polícia Civil, a mulher, que segundo a polícia tem um relacionamento com o pai da criança, contou detalhes do que teria ocorrido na noite de 13 de janeiro, quando houve o desaparecimento de Rafael Lamarque, de 9 anos. O corpo do menino foi encontrado no leito do rio Itaquarinchim na manhã da última quarta-feira (14).

A acusada tem seis filhos, sendo um, de 9 meses, com o pai da vítima. Ela também está grávida de quatro meses. De acordo com a delegada da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), Luciana Cunha da Silva, a autora do crime tem um relacionamento com o pai da criança. “Não sei se o termo a ser usado seria amante, já que a esposa sabia da segunda companheira e vice-versa. Elas se conheciam, a gente constatou. As famílias frequentavam uma a casa da outra, os filhos também. Havia essa interação entre eles, tanto que o Rafael frequentava a casa da mulher que confessou o crime”, disse, em entrevista à Rádio Santo Ângelo.

MOTIVAÇÃO DO CRIME
A delegada informou que, em depoimento, a acusada deu a entender que o crime teria ocorrido por vingança. “Ela não falou com todas as letras a motivação do crime. Disse que foi um momento de loucura, de falta de lucidez, que ela pensou em tudo o que o pai do menino teria feito contra ela. Foi uma situação em que houve uma oportunidade e ela cometeu este crime. Não especificou, mas, ao que tudo indica, teria sido vingança”, informou Luciana.

“Pelo que nós constatamos, o pai do menino estava preso há uns dois meses e ela teria trabalhado para conseguir tirá-lo da prisão, teria pagado advogado. Ela que ia visitá-lo sempre na prisão, ela que deu toda a assistência enquanto ele estava preso, e, no momento em que ele saiu, em que foi liberado da prisão, ele foi para a casa da outra mulher. Parece que seria essa a motivação. Na tarde em que a criança sumiu, por volta das 17h, ela esteve na casa do pai do menino, acabou discutindo com a mãe do menino, atirou tijolos contra a casa. Então houve uma desavença entre eles naquela tarde e durante a noite o menino desapareceu”, contou a delegada.

ASFIXIA
A acusada relatou que teria usado uma corda de nylon, que seria usada para capturar um cavalo da família que havia desaparecido, para assassinar Rafael e, após o crime, deixou o corpo no leito do rio Itaquarinchim.

“Ela mora no Bairro Sagrada Família, o menino estaria na casa dela. Pelo que ela nos relatou, ele teria saído com ela para buscar um cavalo que estaria perdido. A partir daí, o menino foi para outra direção e, segundo ela, posteriormente, voltaram a se encontrar próximo ao mercado Vippi, e dali eles saíram em direção ao Bairro Castelarim, local onde teria ocorrido o fato. Estamos averiguando todas as informações que ela nos passou. Não é porque ela confessou o crime que necessariamente ele tenha ocorrido desta forma. A polícia está investigando todas as informações que ela nos passou em seu depoimento”, esclareceu a delegada.

“O exame médico diz que ele morreu em razão de asfixia mecânica por afogamento. A perícia não erra. Temos que confiar no que foi verificado pelo médico legista, que mais ou menos fecha com o que ela nos disse, já que ela informa que teria caído dentro do rio com o menino e naquele momento teve a ideia, usando a corda de sufocar a criança e depois largando no rio. E, segundo ela, disse que se arrependeu instantes após cometer o ato, mas não havia mais o que fazer, não conseguiu mais alcançar a criança, que foi levada pela correnteza”, mencionou Luciana.

A delegada informou ainda que a prisão temporária foi decretada na sexta-feira (16) e cumprida no domingo (18). A mulher foi conduzida ao Presídio Regional de Santo Ângelo. “Está presa temporariamente. O caminho agora é a conclusão do inquérito policial e a representação da prisão preventiva. Em tese, está esclarecido o fato. Nós tivemos essa autoria determinada e agora trabalhamos com outras possibilidades dentro deste inquérito”, finalizou.