Sequestradores gastaram parte do valor do resgate em aparelhos automotivos e casas de prostituição

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Dois menores foram encaminhados ao Case e os outros três suspeitos ao Presídio Regional

Os cinco suspeitos de sequestrar um agropecuarista no interior de Giruá na última segunda-feira (14) e liberá-lo na madrugada de terça mediante pagamento de resgate foram presos na manhã desta sexta-feira (18). Eles haviam sido localizados na quarta-feira e passaram a prestar depoimento. A vítima, residente no Rincão dos Beltrame, tem 65 anos e foi liberada com ferimentos leves. De acordo com a Polícia Civil, parte dos R$ 30 mil cobrados à família pelo resgate foi gasta, por exemplo, em aparelhos automotivos, mercados e casas de prostituição, em Giruá e Santa Rosa.

Segundo a polícia, todos os suspeitos são de Giruá e residentes no interior. Dois menores, de 16 e 17 anos, foram encaminhados ao Centro de Atendimento Socioeducativo (Case) de Santo Ângelo, enquanto o homem de 26 anos tido como mentor da ação e outros dois, de 18 e 31, foram conduzidos ao Presídio Regional, presos preventivamente. Nenhum dos acusados tem antecedentes criminais. Nesta sexta, na Câmara de Vereadores de Giruá, a equipe de investigação, liderada pelo delegado Rogério Junges – titular da DP de Santo Ângelo e de Giruá –, concedeu uma entrevista coletiva sobre o caso e o trabalho da polícia.

GRUPO ESTUDOU A ROTINA DA VÍTIMA

Em entrevista ao repórter Irani Brum, da Rádio Santo Ângelo, o chefe do setor de investigação da Polícia Civil de Giruá, Paulo Ricardo Brinker, disse que, depois de o grupo ter pedido inicialmente R$ 2 milhões à família para liberar a vítima, o valor acordado durante as negociações – conduzidas pelo filho do agropecuarista e orientadas pela polícia – e posteriormente repassado foi próximo de R$ 30 mil. “Recuperamos pouco mais de R$ 21 mil, e R$ 8 mil foram depositados pelo grupo na conta da companheira do suposto mentor, uma conta de Caxias do Sul, onde ele residia antes de voltar a morar no interior de Giruá, há mais ou menos seis meses. O restante foi gasto em aparelhos automotivos, bares, mercados e casas de prostituição, em Giruá e Santa Rosa”, detalhou o policial.

Paulo Ricardo também declarou que o grupo conhecia a rotina da vítima. Além de o pai do suspeito de 18 anos ter trabalhado para o agropecuarista, o grupo estudou o dia a dia e horários do homem. Em relação às investigações, o policial disse que já no segundo dia de trabalhos houve uma suspeita da participação de um homem conhecido por um apelido – o acusado tido como mentor. “A partir desse apelido, passamos a diligenciar. Tivemos uma ideia de que os envolvidos fossem pessoas próximas a ele, moradores do local, até pelo conhecimento que demonstraram ter da área durante as negociações. Nossa suspeita foi se concretizando no decorrer do dia. No final da quarta-feira, já havia a confissão de todos”, contou na entrevista à Rádio Santo Ângelo.

MATERIAL ENCONTRADO

O grupo, insatisfeito com os valores propostos para a liberação da vítima, chegou a cogitar matar o agropecuarista ou atear fogo na caminhonete dele – roubada no momento da rendição – com o homem dentro. Os suspeitos foram localizados em suas casas, em localidades próximas, e não ofereceram resistência no momento da prisão.

Além dos R$ 21 mil, foram apreendidos os dois veículos do grupo utilizados na ação – um Kadett e um Prisma –, uma espingarda calibre .28 e outra .38, cartuchos, toucas ninja e lacres usados para amarrar o homem. Também, o celular e uma faca da vítima, que ficava guardada em sua caminhonete.