Um dos réus acusados da morte de adolescente chora durante julgamento

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Julgamento, no salão do júri de Santo Ângelo, entra no seu segundo dia

 No segundo dia de julgamento do caso do adolescente morto em Eugênio de Castro, o comerciante e produtor rural Gener Moises Rodrigues, chorou por duas vezes durante o interrogatório. Ele, que é julgado por homicídio qualificado, admitiu ter participado da morte de Tiago Matheus da Silva, 14 anos, no dia 26 de outubro de 2003.

Gener disse que se sentia ameaçado pelo adolescente. “Ele já havia ameaçado estuprar uma de minhas filhas. E quem é pai sabe o sentimento que tem por um filho. Naquela ocasião, quando eu apertei o pescoço dele não imaginava que teria matado ele”, declarou Gener em depoimento.

O policial militar Luis Carlos da Silva também está sendo julgado. Ele é acusado pelos crimes de homicídio duplamente qualificado e ocultação do cadáver.

Na terça-feira (10), os sete integrantes do corpo de jurados foram levados até a propriedade rural onde o fato teria acontecido, no interior de Eugênio de Castro.

A mãe da vítima, a dona de casa Vera Lúcia de Fátima da Silva, 40 anos, acompanha o julgamento, Há três anos mudou-se de Eugênio de Castro para Santo Ângelo porque se sentia amedrontada. "Tudo o que eu quero é que eles paguem pelo que fizeram", falou.

Conforme a denúncia do Ministério Público, Luis Carlos e Gener teriam pego Tiago, na praça José Desordi, colocado-o, contra sua vontade, num automóvel Fiat e a levado a uma propriedade rural, no interior do município, onde teriam matado o garoto por asfixia mecânica.

Um morador foi quem encontrou o corpo do garoto submerso no rio Ijuizinho, 13 dias após o fato (no dia 8 de novembro de 2003) com uma corda no pescoço amarrada em um bloco de tijolos por concreto e cimento.

O auto de necropsia ainda descreve fratura de vértebras cervicais.

Para o Ministério Público, o crime foi cometido mediante o uso de meio insidioso e cruel, consistente em asfixia.

O crime ainda teria sido cometido pelo torpe motivo de vingança, já que os réus alegaram acreditar que Tiago era responsável por cometer pequenos furtos na residência da companheira de Luis Carlos e no restaurante de Gener.

O julgamento está sendo presidido pelo titular da 1ª Vara Criminal de Santo Ângelo, juiz de direito Fábio Marques Welter, tendo como representantes do Ministério Público do RS (acusação), os promotores José Garibaldi Machado e Márcio Rogério de Oliveira. Na assistência de acusação, a advogada Setembrina dos Santos Machado.

O advogado Nelmo de Souza Costa defende o réu Gener Moisés, enquanto que Itaguaci Meirelles e Alex Klaic, defendem Luis Carlos.

O processo em que Gener e Luis Carlos estão envolvidos possui 18 volumes e cerca de quatro mil páginas.